Debate
na Assembléia Legislativa promovido pelo deputado
federal Iran Barbosa atraiu grande número de
participantes
"Construir
uma usina nuclear em Sergipe, como em qualquer outro
lugar do Brasil ou do mundo, não é só
um erro, é burrice. A energia nuclear é
extremamente cara, suja, altamente perigosa e ultrapassada".
A colocação foi feita pelo ambientalista
e ativista do Greenpeace Guilherme Leonardi, no debate
público realizado na Assembléia Legislativa
de Sergipe, na manhã de hoje (11), promovido
pelo mandato do deputado federal Iran Barbosa, do
PT. Leonardi é militante do Greenpeace há
13 anos, sendo, desde 2005, um dos coordenadores da
Campanha de Clima-Energia da organização
no Brasil. Ele também falou sobre os efeitos
das mudanças climáticas sobre a vida
no nosso planeta.
"As mudanças
climáticas e o uso da energia termonuclear são
duas questões que estão no cerne das discussões
no Brasil e no mundo, como também em Sergipe,
onde esse debate vem tomando corpo. Considero extremamente
importante debater esses temas com todos os grupos sociais,
uma vez que todos serão afetados de alguma forma
com as conseqüências geradas por esses dois
problemas", salientou Leonardi.
AQUECIMENTO
GLOBAL
Em quase duas horas de explanação, Guilherme
Leonardi traçou um cenário bastante preocupante
dos efeitos das mudanças climáticas no
mundo em decorrência do aumento desenfreado das
emissões de gases, em sua maioria decorrentes
da queima de combustíveis fósseis, e o
conseqüente aumento do efeito estufa, provocando
o já temido aquecimento global, com implicações
sérias na economia, na agricultura, na saúde
pública e na segurança das populações
e das cidades.
"Mais especificamente
em Sergipe, podemos dizer que dois problemas são
bastante previsíveis, caso nada seja feito e
o aquecimento global continue a crescer: a possível
transformação das áreas do semi-árido
em desertos e a possibilidade do avanço do mar
sobre as cidades litorâneas, como é o caso
da capital", alertou, pedindo que todos os indivíduos,
e não só os governos, se unam e exercitem
pequenas ações que podem contribuir para
reverter a linha de crescimento do aquecimento global,
como deixar o carro na garagem de vez em quando e se
deslocar de ônibus coletivo ou metrô.
Sobre a retomada,
por parte do Governo Federal, da construção
da Usina Nuclear de Angra 3 e de uma quarta, a ser construída
possivelmente em Canindé do São Francisco,
em Sergipe, o ativista do Greenpeace lembrou o lixo
radioativo gerado por elas passará a ser uma
ameaça a toda população, porque
os efeitos da radiação do combustível
termonuclear perduram por milhares e milhares de ano,
e o Brasil não tem depósitos especiais
para lixo radioativo. "E quem gostaria de ter esse
lixo nuclear altamente perigoso em seu quintal? Certamente,
ninguém", falou.
Ele lembrou que
países da Europa, como Espanha e Alemanha, estão
desativando suas usinas nucleares e abandonando, gradativamente,
seus programas de geração de energia termonuclear.
"Enquanto isso, o Brasil está querendo seguir
na contramão", frisou. Leonardi ressaltou,
ainda, que caso o Governo Federal insista em retomar
Angra 3 e em construir uma outra usina nuclear, esta
em Sergipe, o Greenpeace estará preparado para
deflagrar ações políticas e militantes
que envolvam a sociedade a fim de tentar barrar essas
construções.
DEBATE
PRODUTIVO
O deputado Iran Barbosa ressaltou o alto valor do debate
com o ativista do Greenpeace. "Com o debate realizado
aqui passamos a entender melhor como funciona o processo
de aquecimento global e como isso pode atingir diretamente
as populações. Foi possível também
começar a atender que somos atores essenciais
para poder reverter ou não esse quadro que aí
está. Por isso considero que o debate com o Guilherme
foi extremamente importante, produtivo e válido
para todos nós que participamos".
Sobre a possível
construção de uma usina nuclear em Sergipe,
o parlamentar lembrou que já apresentou requerimento
na Câmara Federal para que o ministro das Minas
e Energia, Silas Rondeau, dê informações
mais precisas sobre os propósitos do Programa
Nuclear Brasileiro e a construção de usinas
termonucleares no país. Iran é contra
a construção desse tipo de usina.
"Preocupa-nos
o fato de, se tendo a possibilidade de investir na construção
de alternativas limpas e mais baratas de produção
de energia, a gente optar por uma matriz energética
considerada suja e ultrapassada, que produzirá
um lixo radioativo extremamente perigoso e que vai permanecer
ativo por um período muito grande, colocando
em situação de fragilidade e risco a nossa
população. Caso essa usina se concretize,
estaremos indo na contramão do que está
acontecendo mundialmente", disse o parlamentar.
PRESENÇAS
Estiveram presentes no debate a procuradora-chefe do
Ministério Público Federal Eunice Dantas
Carvalho, os sindicalistas Antônio Góis
(CUT/SE) e Joel Almeida (SINTESE), os vereadores de
Aracaju Elber Batalha (PSB) e Chico Buchinho (PT), o
professor e especialista em Gestão de Recursos
Hídricos e Meio Ambiente Luiz Alberto Palomares,
o superintendente de Recursos Hídricos de Sergipe
Ailton Francisco da Rocha, além de diversos ambientalistas
sergipanos, professores e estudantes da rede pública
e privada, vereadores de municípios do interior,
representes de diversos órgãos públicos
do Estado e da capital, e pessoas da comunidade preocupadas
com as questões ambientais.
Créditos
da reportagem e foto: George Washington (DRT: 859/SE)
Saiba mais sobre
as campanhas de Clima e Energia do Greenpeace, acesse:
www.greenpeace.org.br
